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Carolina Beu

Em situações de dor e desamparo muitas pessoas, sobretudo aqueles que se encontram desesperançados, tendem a buscar refúgio em um transcendente. Não é a toa que, ao longo da história, os mais diversos movimentos religiosos se fortaleceram em meio a catástrofes naturais, guerras e miséria. Ou seja, nos momentos em que ocorre a perda das referências e o surgimento do sentimento de insegurança, a preocupação com questões voltadas à espiritualidade tende a renovar a busca pelo sentido da vida para além de nossa existência terrena.

“As crises geram crises de sentido.”, afirma Lucia Pedrosa de Pádua, doutora em teologia e coordenadora do setor de Cultura Religiosa do departamento de Teologia da PUC-RJ. Segundo a pesquisadora, o crescimento do número de fiéis em períodos críticos é reflexo do próprio papel das manifestações religiosas, que denunciam o que “vai contra a dignidade do ser humano”, além de anunciar a boa nova do amor e da sabedoria de um ser Supremo. “Isso é oferecido às pessoas para que elas possam amar e viver sabiamente”, diz.

Neste contexto, a fé não deve ser compreendida como um processo irracional, visto que confere segurança emocional para aqueles que a buscam. A missão das religiões, dessa forma, estaria calcada no cuidado com a vida interior, afetiva e espiritual. De acordo com Lucia, existe ainda outra dimensão da religião, mais voltada para a ética e a construção de novas possibilidades existenciais. “No fundo, é possível dizer que as religiões são verdadeiras fontes éticas da humanidade. Elas têm poder transformador e humanizador, e esta é sua verdadeira natureza”.

Fé e modernidade

Tido como ‘profético’ em muitas áreas do conhecimento, Sigmund Freud, pai da psicanálise, escreveu em 1927 o artigo intitulado ‘O futuro de uma ilusão’, no qual afirma que o processo de desenvolvimento da modernidade ocasionaria o desaparecimento progressivo das religiões. Freud não esperava, porém, que os avanços tecnológicos do século XX também acirrariam as disputas entre nações, fomentariam a corrida armamentista e aumentariam a miséria no globo. Neste cenário de grandes crises, a sociedade necessita desenvolver um novo sentido social, que preze por sua auto-valorização, e esse processo compreende a estima ao valor das ações solidárias e da expansão da vida espiritual.

“A importância social da religião é justamente congregar as pessoas num objetivo comum, mediado por um Deus. As religiões têm o propósito tanto de “ligar” as pessoas entre si, como também “religar” as pessoas com o Altíssimo”, afirma Raymundo de Lima, doutor em educação pela USP e professor do departamento de Fundamentos da Educação da Universidade Estadual de Maringá. Dessa forma, a fé e a busca religiosa de uma pessoa, seja em períodos de crise ou de bonança, devem estar traduzidas em uma vida com melhores relações: conosco, com a natureza e com os demais. “Podemos observar que pessoas de fé constroem caminhos melhores para as pessoas que as rodeiam e contribuem para o seu próprio tempo histórico”, conclui Lucia.

1 Comentário
  • alcio soeiro

    2 de junho de 2010 às 10:00

    Sou seguidor dos bons exemplos.O Abilio é um ser humano que
    não se envolveu somente com o dinheiro.Veja que ele está
    sempre colaborando com algum plano social,melhoria do planeta.
    As pessoas assim sempre tem as boas energias e protetores

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