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Carolina Beu

Os destinos religiosos atraem um número cada vez maior de peregrinos em todo o mundo. Seja em busca de uma experiência espiritual ou de novos conhecimentos, seguidores das mais variadas crenças procuram, ao menos uma vez na vida, peregrinar em direção a um local que julgam ser sagrado. Dessa forma, cidades consagradas como Santiago de Compostela, na Espanha, Jerusalém, em Israel, ou Fátima, em Portugal, recebem, todos os anos, milhares de pessoas que pretendem professar sua fé.

Com um privilegiado set de histórias, trilhas e lugares sagrados, esse ano o Brasil entrou oficialmente para o rol de destinos religiosos. Em janeiro de 2010 o País passou a fazer parte do catálogo da operadora de turismo do Vaticano. A expectativa é que esse reconhecimento ajude a diversificar a oferta turística brasileira e atraia peregrinos do mundo todo. Segundo pesquisa encomendada pelo Ministério do Turismo, atualmente 96 destinos religiosos cortam o País de norte a sul, além de mais 18 locais potenciais para o segmento.

Caracterizado como o deslocamento motivado pela busca espiritual ou prática religiosa, o chamado turismo religioso representa no Brasil cerca de 1,7 milhão das viagens internas. Isso corresponde a 1,37% do total de viagens realizadas anualmente. Já o número de turistas estrangeiros que vem ao País para fins religiosos é de cerca de 25 mil por ano, ou seja, 0,5% do total de desembarques.

Entre os locais mais procurados pelos viajantes destacam-se Juazeiro do Norte (CE), Aparecida (SP), Belém (PA), Santa Maria (RS) e Salvador (BA). De acordo com um levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisas da Universidade de São Paulo (USP), aproximadamente 15 milhões de brasileiros se interessam por destinos religiosos. Esse movimento desencadeia a geração de empregos e melhora a distribuição de renda, o que pode se traduzido em mais qualidade de vida para a população dessas localidades.

O novo peregrino

Ao contrário do que se pode imaginar, a peregrinação é um costume que permeia a sociedade desde os tempos mais remotos. Ela surgiu no mesmo momento em que o homem partiu em busca de um sentido maior para a sua existência. “A peregrinação existe porque se crê que as coisas, lugares e pessoas possuem graus de sacralidade distintos. E o ser humano tem necessidade e atração pelas coisas mais sagradas”, diz Edin Sued Abumanssur, doutor em Ciências Sociais e professor de Sociologia da Religião na PUC-SP.

De acordo com o especialista, o turismo religioso é um fenômeno moderno. Nessa linha, ele explica que “as viagens com motivação ou destinação religiosa só vieram a se tornar ‘turismo religioso’, quando o volume de pessoas envolvidas alcançou uma escala que tornasse economicamente viável o planejamento e os investimentos na área”. No artigo intitulado Religião e Turismo, Abumanssur afirma ainda que o turista hoje “é uma espécie de peregrino que busca experiências de autenticidade em épocas e lugares que não os seus. Essa busca seria a versão moderna da preocupação universal com o sagrado”.

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