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Mariana Teodoro

Pensar sobre a morte de alguém querido é um tanto quanto desconfortante. Mas, visto que a maioria das pessoas já passou ou passará por uma experiência dessas na vida, é importante aprender a lidar com esse tema tão delicado. “Quando alguém perde um ente próximo, a resposta é de ansiedade, protesto emocional e dor. Para que possamos entender melhor esse processo, é preciso discutir o assunto de forma mais natural”, afirma Aroldo Escudeiro, psicólogo e coordenador da Rede Nacional de Tanatologia – ciência que estuda as perdas.

Segundo o especialista, o luto é um processo psicológico de longo prazo cujo limite de tempo deve ser respeitado para que ocorra o desapego da figura que se foi e o reequilíbrio psíquico de quem ficou. “Para evitar um stress mais intenso no futuro, deve-se estimular que o indivíduo viva o luto em vez de tentar tirar esse momento dele como fazem muitas pessoas.” 

O processo de luto pode ser dividido em quatro etapas. Primeiro há o entorpecimento, período marcado por explosões de aflição, negação e raiva intensas. Depois acontece a fase de anseio e busca da figura perdida, na qual a pessoa de luto interpreta sinais e sons como indícios de que o outro voltou. Posteriormente, há a fase da desorganização e desespero, caracterizada pelas oscilações de humor. Por fim, ocorre a reorganização, ou seja, a pessoa reavalia a vida e se torna mais confiante e independente.

Apesar do estabelecimento das fases, não há como definir o prazo de duração do luto. Sua superação depende de uma série de fatores, entre eles, a natureza da relação entre o morto e quem está sofrendo o luto, o antecedente histórico entre os dois, a forma da morte e as variáveis de personalidade da pessoa que ficou. “O sofrimento de uma família cujo parente morreu após ter ficado durante meses em uma cama de hospital é diferente do de pais que perdem repentinamente o filho em um acidente”, exemplifica Escudeiro. 

Para ajudar o aceleramento desse processo, o especialista faz algumas recomendações. Antes de mais nada, é preciso enfrentar esse momento, de preferência sem a ajuda de medicamentos. “Sei que é muito doloroso ver a pessoa morta, porém isso é extremamente importante para que o luto caminhe. É preciso que a morte se materialize na consciência ou, do contrário, haverá mais sofrimento no futuro.” Além disso, o psicólogo afirma que é preciso trabalhar a dor da perda expressando as emoções. “É essencial falar sobre aquilo, chorar e não guardar todo o sofrimento para si”.

O mesmo processo deve ocorrer com as crianças. Segundo o psicólogo, muitos pais não conversam sobre o assunto com os filhos, impedindo que eles cresçam emocionalmente quando se deparam com uma perda. “Dizer que a mãe virou uma estrela ou o avô foi viajar pode até afastar o sofrimento do luto no momento, mas gera um stress muito maior quando a criança descobrir a mentira”. A melhor coisa, diz Escudeiro, é falar a verdade com naturalidade e na linguagem próxima ao universo infantil.

Passado o choque inicial da perda, as pessoas envolvidas devem, à medida do possível, voltar à rotina. Não é aconselhável, por exemplo, que se mude de casa depois da morte de um parente que morava nela. “Quando uma mulher fica viúva, a tendência dos filhos é tirá-la do local onde morava com o marido. Isso é errado. Ela tem que se acostumar no lugar sem ele. A casa do filho, onde muitas vezes ela é levada, não é a casa dela”.

Por outro lado, há casos de famílias que mantém por meses ou até por anos o espaço da pessoa que morreu intacto. Para o especialista, não é bom se desfazer de tudo no dia seguinte, mas também não é aconselhável manter aquilo para o resto da vida. “Quando há uma ansiedade em conservar o quarto da pessoa ou permanecer grudado a uma peça de roupa dela, por exemplo, o luto não acaba porque é como se o enlutado quisesse alimentar uma esperança ilusória de que a pessoa continua viva.”

Mesmo parecendo uma dor sem fim, é possível superar o luto e restabelecer novos planos de vida. “Não há como comparar dores e lutos, mas há como refletir sobre a morte e ter em mente que ela é maior educadora que existe, pois faz com que deixemos de apreciar o lado material para valorizar o que há de mais importante na vida: os sentimentos e o momento presente”, conclui. Se você gostou do texto, leia também:

Trauma e superação http://abiliodiniz.uol.com.br/qualidade-de-vida/trauma-e-superacao.htm

Crença em Deus http://abiliodiniz.uol.com.br/qualidade-de-vida/crenca-em-deus.htm

Curando as feridas http://abiliodiniz.uol.com.br/qualidade-de-vida/curando-as-feridas.htm 

2 Comentários
  • 3 de novembro de 2012 às 22:07

    É dificil aceita que aquela pessoa que dividiu tantos momentos com você deixou de existir, mas concordo que não ha como superar a perda sem admitir que a morte é uma etapa que todos passaremos a duvida é: Como será do outro lado??????????????

  • Eduardo

    7 de janeiro de 2017 às 22:34

    A morte é uma possibilidade inaceitável

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