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O número de informações relacionadas ao glúten é incontestável. Quem nunca se questionou se a exclusão de glúten na dieta emagrece ou se essa “manobra alimentar” seria boa ou ruim? Eu recebo diariamente uma “enxurrada” de dúvidas relacionadas ao assunto e, por isso, resolvi expor meu ponto de vista sobre ele aqui.

E nada melhor do que iniciar o texto com uma simples questão: o que é glúten? O glúten é uma proteína encontrada em cereais como trigo, centeio, cevada, malte e aveia.

Seguindo o senso comum, você poderia me questionar: o glúten é ruim para todo mundo? Não, não há comprovação científica para isto. A questão é que a capacidade que o nosso trato gastrointestinal (TGI) tem em digerir esta proteína é limitada e, isto em indivíduos geneticamente predispostos pode ser prejudicial.

A predisposição genética está associada à presença do genótipo HLA-DQ2 ou HLA-DQ8, que confere aos indivíduos risco para desenvolver uma doença auto-imune conhecida como doença celíaca (DC).

Pacientes com DC ainda não diagnosticada podem apresentar deficiência de vitaminas como B12 e B9, minerais como zinco e ferro e sintomas como oscilações da função do TGI (intestino preso ou solto), fadiga, anemia, menor crescimento ponderal (crianças), distensão abdominal, gases, “peso” no estômago ao se alimentar, entre outros aspectos. O diagnóstico para tal afecção é feito por meio de exames bioquímicos, genéticos e biópsia intestinal. Para isso, é necessária uma equipe multidisciplinar atuando.

Nestes casos, o tratamento está na exclusão do glúten da dieta. Produtos “contaminados” com trigo, centeio, cevada, malte e aveia também precisam ser excluídos. Por isto, especialmente para estes pacientes, os produtos liberados precisam ser isentos em glúten e esta informação deve estar descrita na rotulagem. Além disto, cuidado na manipulação de alimentos são necessários.

Mas só existe a DC quando falamos do glúten? Não. Além da DC, pacientes podem apresentar alergias ao glúten e/ou trigo, havendo, no caso de alergias, a necessidade de exclusão do glúten na dieta. Há também a sensibilidade ao glúten não celíaca, na qual os pacientes apresentam sensações como distensão abdominal, gases ao consumir alimentos que contenham esta proteína. Esta situação pode estar presente na síndrome do intestino irritável. No entanto, há necessidade de acompanhamento por um profissional qualificado, pois o critério para a análise está na exclusão temporária do alimento e observação da evolução do paciente.

Emagrecer “cortando” o glúten da dieta é mito. Não há dados científicos em humanos que comprovem tal benefício. Pode ser que você emagreça simplesmente pelo fato de restringir um pouco mais a sua alimentação, até por que snacks sem glúten são menos acessíveis. Preste atenção na “carga de açúcar” que alguns produtos sem glúten possuem porque costumam ser altas e, se não houver controle no consumo quantitativo do alimento, pode ser que você até aumente de peso.

Vejam só, o que eu quero que vocês entendam é que a exclusão do glúten é necessária em alguns casos, como os acima descritos. Entretanto, a inserção em uma dieta equilibrada de alimentos sem glúten junto ao consumo de outros alimentos, no meu ponto de vista, é saudável.

Por exemplo, que tal comer um dia pão integral com trigo e em outro pão sem glúten? Ou que mal faria substituir em uma preparação farinha de trigo por farinha de amêndoas, de coco, de berinjela? Ou comer uma massa de quinoa integral ao invés de uma massa de trigo? O importante é a variedade! E isto qualquer indivíduo pode fazer, sem neuras. Experimentar novos alimentos é super saudável e prazeroso.

Então, nada de modinha. Exclusão de glúten é necessária para alguns pacientes e não para todos. E nunca se esqueça: Procure sempre um profissional qualificado para te orientar.

Dra Ana Poletto é nutricionista clínica e Doutora em Fisiologia Humana pela Universidade de São Paulo

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