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Durante os meses de Outubro e Novembro são realizadas inúmeras campanhas que ressaltam a importância da prevenção e da conscientização no combate aos cânceres (CA) de mama e próstata, respectivamente. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, o INCA, entre mulheres e homens esses são os dois tipos que mais matam, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma.

Sabemos que fatores genéticos podem estar associados a boa parte dos tipos de cânceres, mas este aspecto não é o único determinante na causa dessa doença. O ambiente em que estamos inseridos também tem seu papel. Ou seja, nossas escolhas e nosso modo de vida são determinantes. Nossa alimentação faz parte dessas escolhas e da forma como enxergamos a vida. É sobre isso este texto. Sobre como o consumo de alimentos adequados pode fazer a diferença para o bem. Costumo dizer que somos 20% genética e 80% ambiente e que tudo o que a gente escolhe reflete na expressão de nossos genes. Brincando um pouco com as palavras digo: “boas escolhas para genes felizes”.

Em se tratando de ambiente, somos diariamente expostos a um universo de substâncias tóxicas. É fácil ter essa noção quando pararmos para pensar no ar que respiramos, no churrasco que comemos, no plástico que usamos para embalar os alimentos, nos agrotóxicos que consumimos e assim por diante. Tudo isso está presente no nosso dia a dia. Isolar-se de todas essas substâncias seria a solução? Não. E, convenhamos, é impossível, não é?! Mas o que é possível é diminuir, realizando, por exemplo, simples trocas: o filé grelhado por uma carne refogada e os plásticos usados em casa por potes de vidro.

Entrando na questão da alimentação em si, as escolhas precisam ser feitas de forma consciente e colocadas como prioridade. Quando feitas adequadamente são determinantes nesse processo de prevenção. Quanto melhor a qualidade e a variedade dos alimentos que escolho para me alimentar, mais “bem nutrido” estará meu organismo, possibilitando que o meu sistema de defesa (imunológico) e de limpeza (destoxificação) funcionem de forma adequada. Assim, ainda que eu entre em contato com alguma substância “ruim”, meu organismo se encarregará de colocar para fora protegendo meus genes.

Já está comprovado que uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais é protetora contra diferentes tipos de cânceres. Os vegetais como brócolis, couve flor, couve de bruxelas, couve manteiga, repolho, nabo, rabanete, agrião, alho e cenoura são muito especiais, pois apresentam substâncias muito protetoras. Uma dica está na forma de preparo: se for necessário cozinhá-los devemos fazer isto no vapor. Estudos mostram o importante efeito antitumoral de uma especiaria conhecida como açafrão da terra ou cúrcuma longa, cujo efeito no nosso organismo é melhor na presença de uma pitada de pimenta preta e gorduras boas, como o azeite de oliva extra virgem. Alguns dados também apontam efeitos benéficos no uso do chá verde preparado como infusão.

Falando um pouco sobre as gorduras, é sabido que o corpo se beneficia muito das gorduras de boa qualidade (sim, elas existem) que são encontradas em peixes, azeite de oliva extra virgem, abacate e oleaginosas sem sal. O consumo dessas deve sobressair em relação ao consumo das gorduras “ruins”, encontradas em produtos industrializados, as famosas “trans” e “interesterificadas” (óleos modificados quimicamente). Assim, quanto menos industrializados, melhor para você. Além das gorduras de boa qualidade, os peixes também são importantes fontes de vitamina D, assim como a exposição solar adequada.

Quando falamos das frutas, eu diria: “use e abuse”. No entanto, é preciso cuidado com o excesso, pois pode colaborar para a elevação de peso em alguns indivíduos. As frutas como cacau, mamão, laranja, limão, amoras, framboesas, cerejas, morangos, entre outras são riquíssimas em vitaminas, minerais e substâncias antioxidantes que são essenciais para a prevenção de cânceres.

Além das dicas acima, opte por alimentos orgânicos (quando possível), fique atento ao excesso de bebidas alcoólicas, evite fumar, procure realizar atividades que relaxam, como a meditação, e faça atividade física com regularidade, pois a manutenção adequada de peso também é um aspecto essencial.

Quando pensamos nos nossos genes devemos sempre buscar um equilíbrio entre qualidade e variedade alimentar. Precisamos ter consciência alimentar, ou seja, ter consciência dos riscos e benefícios que a escolha do alimento que vamos ingerir irá proporcionar. Procure sempre o melhor para você e para a sua saúde, seu bem maior.

Dra Ana Poletto é nutricionista clínica e Doutora em Fisiologia Humana pela Universidade de São Paulo

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