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Adoçantes ou açúcares? Esse é um tema controverso e que gera muita discussão. Inclusive, acredito que por muitas vezes você já tenha se deparo com este questionamento, especialmente quando aqueles “quilinhos” a mais estão te incomodando.

Preciso iniciar este texto dizendo que o ideal mesmo é não adoçar, ou seja, nada de adoçantes e/ou açúcares. Identificar o sabor natural dos alimentos é o ideal e isto, para muitos, é um processo difícil, uma vez que a necessidade do consumo de alimentos mais adocicados pode estar associada a aspectos como ansiedade, estresse, desequilíbrios hormonais, genética ou simplesmente paladar.

Mas, se você é do tipo que não consegue deixar de adoçar os alimentos, vou te ajudar a entender a maneira mais saudável de fazer isso.

Entendi que aqui algumas coisas precisam ser esclarecidas. Os edulcorantes, popularmente conhecidos como adoçantes, podem ser classificados, por exemplo, de acordo com o valor calórico. Edulcorantes nutritivos fornecem o mesmo valor calórico do açúcar (frutose, glicose, maltose, entre outros), já os edulcorantes não nutritivos são pouco calóricos ou não calóricos (acessulfame K, ciclamato, sacarina, sucralose). Há também os adoçantes obtidos de extratos vegetais, como estévia e taumatina considerados nutritivos.

Enquanto a ANVISA estipula o limite de adição de edulcorantes nos produtos, a OMS determina a quantidade máxima de cada adoçante que pode ser utilizada por um indivíduo de acordo com o peso (Kg), IDA – Ingestão diária aceitável. Aqui chamo a sua atenção para dois importantes aspectos: primeiro, em geral, indivíduos adeptos aos adoçantes consomem diariamente vários produtos com edulcorantes alcançando facilmente o limite estipulado; em segundo lugar, dados científicos mostram que o consumo de adoçantes artificiais pode provocar, por exemplo, alteração da microbiota intestinal, o que é um fator de risco para doenças metabólicas como obesidade e diabetes melittus, e maior palatabilidade para doces.

Você deve estar se perguntando: “então, o melhor a fazer é comer açúcar?”. Eu respondo: não, não estou dizendo isto. Uma alternativa, menos prejudicial, seria o uso de adoçantes naturais derivados de plantas, mas mesmo assim acredito que o ideal ainda seja comer menos produtos acrescidos de açúcares e adoçantes e não adoçar os alimentos. Cabe ressaltar também que o “açúcar” que se consome “escondido” nos alimentos industrializados, muitas vezes na forma de xarope, pode elevar o ácido úrico.

Em relação ao açúcar extraído da cana-de-açúcar, vejo também uma grande tendência aos diferentes tipos no mercado, como açúcar demerara, açúcar mascavo, melado de cana, açúcar de coco, açúcar refinado, entre outros. No entanto, o que os diferenciam não é o teor de sacarose, ou seja, açúcar, mas sim a qualidade nutricional, na qual as versões não refinadas além de não terem adição de aditivos químicos, conservam a qualidade de micronutrientes como vitaminas do complexo B, magnésio, cálcio, cobre, entre outros. O açúcar refinado branco, além de receber adição de compostos químicos para o clareamento, perde boa parte de suas vitaminas e minerais. Acredito que o açúcar de coco é uma alternativa saudável, no entanto, não há dados suficientes na literatura científica que comprovem menor índice glicêmico no açúcar de coco.

O que eu quero que você entenda é que o consumo de açúcares naturais, como demerara, melado de cana, mascavo e coco, pode ser feito com moderação desde que se mantenha uma dieta equilibrada em termos qualitativos e quantitativos. É muito mais saudável comer um bolinho caseiro feito em casa do que um biscoito industrializado. Inclusive, muitas vezes podemos utilizar a própria fruta para adoçar. A banana e laranja ajudam muito nestes casos.

O importante é ter bom senso quando o assunto é alimentação. Pacientes com diabetes mellitus, hipertrigliceridemia e obesidade precisam ser orientados quanto ao controle glicêmico dos alimentos e devem, sempre que possível, procurar um profissional capacitado para adequada orientação.

Dra Ana Poletto é nutricionista clínica e Doutora em Fisiologia Humana pela Universidade de São Paulo

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