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Trazer à tona o segredo das organizações que se saíram bem após uma recessão foi o que motivou Nitin Nohria, reitor da Harvard Business School, e colegas, a passarem um ano estudando a performance organizacional de 4.700 empresas nos três anos que antecederam uma recessão mundial, durante a recessão e nos três anos que a seguiram. Os períodos recessivos escolhidos pelos pesquisadores foram os de 1980 a 1982 (no qual um dos fatores foi o endividamento latino-americano), 1990 a 1991 (quando houve uma forte crise no crédito), e 2000 a 2002 (momento em que ocorreu o estouro da bolha da internet).

O estudo revelou que 17% das empresas não sobreviveram a um dos três períodos recessivos – ou quebraram, ou foram vendidas. Entre as sobreviventes, cerca de 80% ainda não havia retomado seus níveis de crescimento pré-recessão nos três anos que se seguiram à estagnação. Somente 9% foram capazes de prosperar após a recuada econômica, atingindo uma performance financeira melhor do que antes e superando a concorrência em, no mínimo, 10% no que diz respeito ao aumento das vendas e do lucro. Em seu estudo, os pesquisadores identificaram quatro estilos diferentes de empresas: as com foco em prevenção, as com foco em promoção, as pragmáticas e as progressistas.

Organizações focadas em prevenção constituem o grupo que mais faz cortes e reduz despesas em comparação com outras empresas. Suas chances de atingir uma performance superior – calculadas com base na análise de desempenho desse grupo – são de 21%. Poucas que adotam esse direcionamento se dão bem após uma recessão. Empresas focadas em promoção investem mais e cortam menos do que a concorrência. A possibilidade de que apresentem uma performance superior é de 26%.

As organizações pragmáticas mesclam estratégias defensivas e ofensivas e, com isso, amealham 29% de possibilidades de alcançar uma performance superior. Já as organizações progressistas também misturam estratégias ofensivas e defensivas, porém em uma dosagem que parece ser ideal. As chances de que essas empresas atinjam uma performance superior são as mais altas entre os quatro grupos: 37%. É entre elas que se encontra aquele seleto time de organizações que apresentam mais possibilidades de prosperar após uma recessão. Essas empresas reduzem custos de modo seletivo – por exemplo, tornando processos mais eficientes em vez de apenas cortar mão de obra. E geraram novas oportunidades ao investir de modo significativo, porém, criterioso, em pesquisa, desenvolvimento e marketing – sempre usando como filtro as necessidades do cliente. Essas estratégias são inteligentes não só por ajudarem a combater a crise, mas também por pavimentarem o caminho para o sucesso sustentado após a recessão.

Os pesquisadores de Harvard concluem dizendo que os líderes de organizações progressistas não possuem um roteiro pronto para agir em tempos de recessão. Todos na empresa são encorajados a descobrir novos modos de aumentar a eficiência e a produtividade. E aqui eu acrescentaria mais um elemento fundamental: o treinamento e o preparo dos profissionais que precisam repensar – e às vezes recriar – suas empresas. Pense nisso ao conceber estratégias para conduzir sua empresa em tempos de recessão.

Dicas do especialista

Se a sua empresa almeja estar entre as 9% que prosperam após uma recessão, obtenha clareza a respeito da situação atual porque só dessa forma você conseguirá elaborar a melhor estratégia para sua organização superar a crise e alcançar os resultados esperados.

Aproveito para deixar algumas perguntas que podem ajudá-lo a visualizar o momento atual da sua empresa e a entrar em ação:

1) Com qual perfil sua empresa se identifica mais? Foco em prevenção, foco em promoção, pragmática ou progressista?

2) Que resultados a empresa está obtendo com esse perfil?

3) Quais são os principais riscos que a recessão traz à sua empresa? Como você está lidando com isso?

4) O que você tem feito para desenvolver o capital humano da sua organização? 

Villela da Matta escreve mensalmente para o Site Abilio Diniz. É fundador da Sociedade Brasileira de Coaching e presidente da SBCoaching Corporate. Master coach com mais de 10.000 horas de prática, possui mais de 30 anos de experiência no mundo corporativo – tendo atuado como alto executivo e especialista em grandes organizações globais. Também é editor-chefe da Revista Científica Brasileira de Coaching, publisher da SBCoaching Editora e cofundador do Institute of Positive Coaching Research. É autor de livros e artigos nas áreas de coaching, negócios, liderança e vendas.

2 Comentários
  • VERA LUCIA DE JESUS GOMES.

    8 de junho de 2016 às 10:26

    Me preparando para abrir uma frente de trabalho. Me organizando, sem nenhum recurso mais com Otimismo.

  • Alexandro de Jesus Gomes

    9 de junho de 2016 às 23:53

    Em busca de oportunidade…

    CRISE : tire o S

    CRIE…..
    Acredite!

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