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Gabriela Carelli

Até pouco tempo atrás, a longevidade era uma possibilidade remota, uma espécie de bilhete premiado que todos almejavam, mas só os realmente sortudos podiam desfrutar. Hoje, viver muito é regra, não exceção. Como consequência de uma série de avanços médicos e científicos, em pouco mais de um século a expectativa de vida da população mundial mais que dobrou – no Brasil, saltou de míseros 33,7 anos em 1900 para atuais 75,2 anos, já superando os 85 anos nas regiões mais desenvolvidas. E continua a aumentar.

Pelas contas do demógrafo Ronald D. Lee, da Universidade da Califórnia, um dos mais respeitados do mundo, a cada hora vivida uma pessoa saudável ganha cerca de 15 minutos de vida extra – algo em torno de 6 horas a mais a cada dia e 2,5 anos a mais a cada década. Em suma: se nenhum imprevisto acontecer no meio do caminho, viveremos, em média, 20, 30 anos a mais do que nossos avós.

Toda grande conquista implica em grandes desafios – e no caso da longevidade, um dos feitos mais notáveis da história da humanidade, não é diferente. Uma das questões mais urgentes que emergem dessa nova realidade é como vamos (e queremos!) passar o tempo a mais que nos foi concedido. “Ter saúde é fundamental, mas uma longevidade com qualidade não se resume a isso. É preciso ter propósito, dinheiro para garantir uma vida digna e uma ocupação satisfaça”, diz Nilton Molina, presidente do Conselho de Administração da seguradora Mongeral Aegon no Brasil. A empresa criou o Instituto da Longevidade, que tem como missão preparar o país e as pessoas para os impactos socioeconômicos do envelhecimento populacional e fomentar a criação de novas oportunidades nesse cenário.

O empenho se justifica. Assim como o resto do planeta, o Brasil está cada dia mais cinza. Há 46 milhões de brasileiros com mais de 50 anos no país, o equivalente à população da Espanha. Em 2045, serão 95,6 milhões. “Essas pessoas não podem e, principalmente, não querem parar de trabalhar”, diz Renato Meirelles, diretor da Data Popular e coordenador de uma pesquisa que ajudou a definir os rumos do Instituto Longevidade. “Mantê-los na ativa não é só importante para a economia. Também é fundamental para preservar a autoestima, como detectamos na pesquisa”, conclui Meirelles.

Em um primeiro momento, o Instituto da Longevidade, por meio do Movimento REAL.IDADE, atuará em três frentes: trabalho, renda e requalificação profissional para pessoas com mais de 50 anos. “Queremos engajar diversos setores da sociedade para criar soluções criativas de alto impacto para os mais velhos que perderam o emprego, estão aposentados ou simplesmente querem se reinventar”, afirma Nilton Molina.

Para isso, a iniciativa contará com um portal de notícias sobre o tema, cursos de atualização profissional e serviços gratuitos para ajudar interessados a se recolocar no mercado de trabalho depois da aposentadoria. Também estão previstas ações de políticas públicas e de incentivo. Das ações, destaca-se o RETA (Regime Especial de Trabalho do Aposentado), projeto de lei desenvolvido em parceria com a FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) que propõe mudanças na legislação trabalhista a fim de inserir a parcela mais velha da população no mercado de trabalho, além de tornar essas contratações mais atraentes para as empresas.

6 Comentários
  • Geraldo da Silva

    6 de setembro de 2016 às 18:43

    Esta é sem dúvida uma ótima iniciativa. Parabéns !

  • Luiz Freitas

    6 de setembro de 2016 às 19:34

    O desafio é muito grande, pois o padrão mental das pessoas em geral, é de que, após os 50, todos se tornam improdutivos, incapazes, inoperantes, etc. e isto esta enraizado, e neste momento em especial, com a divisão de nossa sociedade, entre pobres e ricos, jovens e velhos, negros e brancos, cristãos e não cristãos, divisões por opçao sexual e assim por diante, juntando a tudo isto, o país empobrecido, nossas empresas propulsoras do desenvolvimento sendo destruídas para que o capital estrangeiro nos escravize novamente, e para piorar uma classe politica de salafrários, e nem me venham dizer que isto é de um partido só, são todos, um bando de ladrões, nosso judiciário uma lástima, só pensa em benefícios e por ultimo um governo que além de não representar nosso povo, continua com as mesmas práticas. Portanto a luta para incluir esta população envelhecida é quase impossível.

  • Abigail Gravina

    7 de setembro de 2016 às 00:28

    Tenho 44 anos e já sinto discriminação na hora de concorrer a uma vaga de trabalho. sou corretora de seguros e tive que abrir uma empresa para poder trabalhar, mesmo sem ter condições para isso. Agora tenho dificuldade manter essa empresa pois o mercado esta em crise. gostaria de me reinventar.

  • Lilian

    7 de setembro de 2016 às 07:50

    Faz toda diferença, o jovem de hj será um idoso amanhã, E por consequência deve ter oportunidades , o trabalhador em geral não se prepara para a aposentadoria, é difícil aceitar , qual a sua profissão: aposentado , minha filha diz que devo ter orgulho por isto, trabalhei pra caramba para estar nesta condição, o difícil é que a maioria das empresas consideram uma pessoa de 50 anos incapaz , mesmo os proprietários já tendo está idade , entendem que seus colaboradores já não produzem mais , discordo totalmente , a mentalidade dos empresários precisa mudar , não somente o nosso país , dependemos dos empregadores para tal mudança, tem que ser conscientes que maturidade faz toda diferença,

  • Vanderlei dos Santos Gonçalves

    8 de setembro de 2016 às 08:31

    Gostei da reportagem, pois eu como exemplo, consegui me formar em gestão Comercial aos 60 anos, sou especializado em engenharia de produção, tenho duas formações como coach, estou iniciando um MBA em coaching, sou especializado, também em resolução de conflitos para empresas, há dois anos, e tudo isto está morrendo na praia, pois o mercado nos coloca como terceira idade, como se devêssemos apenas fazer reparos em nossas casas e cuidar de netos. Não sou aposentado, estou na ativa. Temos uma visão mais ampla da vida e trabalhar é uma das melhores formas de agradecer a vida. Parabéns pela iniciativa.

  • eliane

    19 de outubro de 2016 às 14:27

    Na realidade da vida e do Brasil .nem jovens que nao tem ecperiencias e nem prssoas acima da idade que tem esta no mercado de trabalho .pois todos tem dificuldades de entrar .uns porque nao tem experiencias outros porque acham velhos . Mais uma coisa e certa todos precisam de um jovem e dos mais velhos sem eles ninguem faz nada .

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